Já sou adulta e ainda preciso de ajuda
- Maria Inês Félix

- 4 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 11 de nov. de 2025
- Será que sou mesmo capaz de escrever uma história para vocês? Sem que haja erros, nem frases mal construídas? E que consiga transmitir o que pretendo através de uma forma clara e simples?
Já passou muito tempo desde que comecei a trabalhar lado a lado com a Maria.
Na verdade, ainda me lembro da altura em que nós as duas tivemos de fazer muitos e muitos exercícios mandados pela Dra. Paula Teles como trabalhos de casa para superar a dislexia. Por vezes, eram verões inteiros na sala de estar a fazer várias páginas que pareciam nunca mais acabar...
A minha cabeça só pensava em ir para a piscina e divertir com a minha irmã, mas a Maria não me deixava! E por causa disso, foram "tempos de muita discussão" entre nós as duas.
Quem também entrava para ajudar a Maria era a minha mãe que também me obrigava a fazer os exercícios. Na verdade, ela só me deixava brincar depois de terminar todas as "fotocópias" que correspondessem aquele dia.
Foram tempos muito difíceis, mas hoje agradeço todo o tempo que dediquei à Maria, pois sabia que mais cedo ou mais tarde, todo o esforço realizado iria dar frutos no futuro.
Durante o processo de aprendizagem necessitei de muita ajuda de várias pessoas (família, professores, psicólogos e explicadores) e hoje, às vezes, admito que ainda preciso.
Por exemplo, para mim escrever um pequeno parágrafo demora muito mais tempo do que uma pessoa normal... e quando estou mais cansada costumo cometer muitos erros. Daí que ajuda é essencial para mim. Mas, quando chega a altura de pedir, isso já é outra questão...
Quando estou sozinha não importa o tempo que demoro a ler e escrever, eu persisto e releio as vezes que forem necessárias até compreender tudo o que está escrito. Como sei que a Maria me faz alguma das suas partidas, já estou preparada para encontrar algum tipo de erro.
"Inês, não há ninguém que possa fazê-lo por ti, tu és a única capaz de ajudar a Maria a ultrapassar a dislexia." Foram com estas palavras que a "Maria Inês" cresceu em toda a sua vida e por isso desde pequena que está habituada a fazer tudo sozinha, sem necessitar de ajuda de ninguém.
Contudo, com o tempo aprendi que não ganhava nada em colocar pressão sobre mim, às vezes o tamanho dela era tão grande que ficava ansiosa por isso... Foram muitas as vezes que cheguei a "explodir", mais tarde apercebi-me que pedir uma mão de apoio quando necessito é um acto muito humilde.
Sei que a Maria é uma parte de mim que está mais vulnerável a cometer erros e por isso sei que pedir ajuda quando preciso é aceitar essa parte de mim.
Todos nós erramos e ninguém é perfeito!





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