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Notícia do dia: A Inês conhece a Maria

  • Foto do escritor: Maria Inês Félix
    Maria Inês Félix
  • 11 de abr. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de fev. de 2024

Foram muitos anos que passaram desde que a Maria apareceu pela primeira vez na minha vida e que tornamos amigas. Durante esse tempo, nós as duas passamos por muitos desafios e obstáculos, por isso, são poucas as memórias que me recordo. No entanto, lembro-me do primeiro momento em que conheci a Maria!


Conheci-a pela primeira vez quando tinha cerca de oito anos de idade num consultório onde estava eu e a psicóloga que, mais tarde, iria apresentar-me a Maria.

Na altura, eu não sabia mesmo o que esperar desta minha nova amiga que estava prestes a conhecer, mas sabia que era alguém que iria mudar a minha vida para sempre! A Dra. Paula Teles, a minha psicóloga, foi quem nos acompanhou durante um longo período de tempo. De facto, foi ela quem nos ensinou a dar os primeiros passos para sabermos como trabalhar em conjunto. Foram muitos anos de trabalho árduo e por isso, só tenho de agradecer à Dra. Paula Teles. Sem dúvida que ela foi um grande apoio!


Lembro-me do primeiro momento em que eu e a Maria trocamos os olhares e vimo-nos pela primeira vez. Ela estava sentada num canto da sala, bem escondida e agachada no chão como se não quisesse ser vista. Mais tarde, percebi que a Maria só se escondia porque estava com muito medo.

Quando a Dra. Paula Teles me chamou para conhecer a minha nova amiga, reparei que a Maria estava muito envergonhada e que só queria fugir de mim. Ainda tentei estender-lhe a mão para que fossemos brincar, mas ela só queria mesmo era ficar no seu "canto".


Durante a sessão, a Dra. Paula Teles mandou-nos fazer alguns jogos divertidos para que nós as duas aproximássemos uma da outra e também para que a Maria baixasse a sua "muralha da china". Eu mal-entendia o que se passava, pois só queria brincar com ela.

Mais tarde percebi que não ia ser nada fácil conviver com a Maria, pois a sua dislexia impedia de brincar comigo. A Maria desde nascença que só sabia comunicar através de sons estranhos sem exprimir uma única palavra. Tudo o que dizia e fazia na sessão era apenas por memória do que ouvia e fazia em casa ou na escola.

Posso-vos contar que quem tem um amigo especial destes na sua vida ganha um excelente aliado, pois eles são conhecidos por terem uma memória muito boa!


A partir desse dia, prometi a mim mesma que iria ajudar a Maria no que fosse necessário para superar a dislexia. Também lhe prometi que estaria sempre, sempre ao seu lado!

Foram muitas sessões realizadas com a Dra. Paula Teles e confesso que a Maria dificultou muito da minha vida. A Maria não conseguia comunicar de todo com as pessoas e o seu nível de aprendizagem era tão lento que estava muito atrás na escola em relação aos colegas. No fundo, ela sabia que era diferente das outras crianças e isso a deixava muito triste, por isso voltava sempre para o "canto" da sala, "o seu local favorito".


Ainda hoje sinto quando a Maria tem vontade de "fugir" para o seu “canto”, pois ela puxa-me o braço para ir também. No entanto, eu não quero ir... prefiro conhecer e viver o mundo que existe lá fora. De facto, quero mostrar-lhe como o mundo pode ser maravilhoso e que não necessita de ter medo. Assim, estenderei a mão as vezes que forem necessárias para que a Maria me acompanhe nesta minha aventura a que chamo de vida.




 
 
 

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