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O impossível que se tornou possível

  • Foto do escritor: Maria Inês Félix
    Maria Inês Félix
  • 22 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de fev. de 2024

Estava à espera do momento certo para vos contar a história de hoje, pois esta talvez seja das mais especiais que escrevi sobre mim. Hoje, conto-vos do dia em que recebi o diagnóstico sobre a minha dislexia e como me tornei na pessoa que sou hoje.


Tudo começou no infantário onde já apresentava alguns sinais de dislexia como a dificuldade em ouvir as palavras. No entanto, era tão pequena (tinha apenas dois anos de idade) que os educadores de infância disseram que iria passar com o tempo. Passei para a primária e a minha dislexia "ficou escondida” pela minha boa memória. De facto, a minha mãe pedia para ler os textos que tinha estudado na escola e eu era capaz de lê-los todos sem qualquer problema. Tudo parecia correr muito bem... até que chegou um momento em que não consegui acompanhar mais os professores e comecei a ficar para trás em relação aos meus colegas.


Foram muitos anos em que a minha mãe procurou por alguém que soubesse dar uma resposta exacta para as minhas dificuldades. Naquela altura mal se falava da dislexia e a sua existência era praticamente nula. Por isso, ninguém sabia ao certo o que tinha... todos diziam que não se passava de nada até que no segundo ano surgiu o nome da psicóloga Dra. Paula Teles através da minha professora.


Iniciei as minhas sessões com a Dra. Paula Teles e após algumas consultas, o dia do diagnóstico tinha chegado. Faltavam poucos minutos para sair a notícia do dia e já tinha passado cerca de duas semanas. A minha mãe andava preocupada e eu ansiosa para saber o que é que a Maria tinha. Afinal seria uma notícia boa ou má?


Entretanto, tinha chegado a minha vez e nós as três entrámos no consultório. Sinceramente não me lembro muito bem deste dia, mas a minha mãe contou-me que as palavras ditas pela Dra. Paula Teles foram:


- O estado da sua filha é muito grave. A sua filha tem dislexia fono-linguística muito profunda. É tão severa que ela terá de trabalhar mesmo muito para tirar um curso superior.


Naquele momento, eu e a minha mãe tínhamos acabado de ouvir as palavras mais tristes de sempre (de facto, a verdade consegue ser muito dura). E assim que as ouvi a minha mãe olhou para mim e conseguiu ver as lágrimas a caírem do meu rosto. Lá no fundo, eu sabia que aquele choro não era apenas meu, mas também da minha amiga Maria já que partilhávamos a mesma tristeza. Chorei por uns minutos até que olhei para a minha mãe e senti uma enorme força, pois através do seu olhar ela disse-me:


- Tu irás conseguir superar a dislexia. Irás passar todos os anos escolares e no final, conseguirás entrar na faculdade e tirar um curso superior.


O grau da minha dislexia era tão severo que achei impossível de chegar à universidade, mas o meu objectivo era provar o contrário! Após alguns anos de muito trabalho e esforço consegui superar a dislexia e em 2008 entrei na Faculdade de Arquitectura em Lisboa.


Qualquer que seja o teu "diagnóstico", tu tens a força de transformar o impossível em possível. Nada acontece sem força de vontade e de certeza que haverão alguns obstáculos pelo caminho, mas são eles que te farão continuar até atingires o objectivo que definiste. Acredita que tudo o que necessitas está dentro de ti, apenas tens de persistir e nunca desistir.



"Eu tentei 99 vezes e falhei, mas na centésima tentativa eu consegui. Nunca desista dos seus objectivos mesmo que esses pareçam impossíveis, a próxima tentativa pode ser vitoriosa." Albert Einstein

 
 
 

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"A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro"

ALBERT EINSTEIN

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Planta suculenta verde

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FOTOGRAFIA
@pigmenta fotografia_José Guerra

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